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Cirurgia robótica e multidisciplinaridade aprimoram resultados no tratamento da endometriose

Dados do Ministério da Saúde revelam que uma a cada dez brasileiras tem endometriose, doença inflamatória que atinge o tecido do útero (endométrio), mas que frequentemente se expande para os ovários, a bexiga, o intestino e outros órgãos. O diagnóstico não é fácil e o tratamento pode ser medicamentoso, cirúrgico ou combinado.

Lesões maiores, em geral, são retiradas cirurgicamente. Além da cirurgia convencional (aberta) e laparoscópica, existe a possibilidade de uso da tecnologia robótica que, na Bahia, está disponível há cerca de um ano e meio, com demanda crescente, devido a seus benefícios agregados. Um dos diferenciais do tratamento cirúrgico da endometriose é a atuação de equipes multidisciplinares, já que a doença afeta diferentes sistemas do corpo humano.

A troca de conhecimento e experiência entre especialidades aumenta a chance de remoção total do tecido doente, sem prejudicar o funcionamento normal dos órgãos acometidos pela inflamação. Segundo o coordenador do Instituto Baiano de Cirurgia Robótica (IBCR), Nilo Jorge Leão, a paciente com endometriose, geralmente, sofre muito devido à demora da descoberta da doença.

“O adequado diagnóstico da endometriose carece de profissionais bem preparados. A partir da confirmação da doença, é importante que ela seja tratada de modo multidisciplinar por uma equipe experiente, a fim de receber um tratamento integral completo”, afirmou. Neste contexto, o tratamento da endometriose requer a atuação de diferentes especialistas antes mesmo da cirurgia. “Tudo começa com a avaliação precisa de um ginecologista que solicita exames para fechar o diagnóstico como ultrassom e ressonância magnética. Depois, a paciente passa pela avaliação do coloproctologista e do urologista. Atuando juntos, esses profissionais ampliam a segurança e a chance de sucesso do tratamento”, resumiu o cirurgião urologista.

Cada especialista cuida de uma área específica durante o ato cirúrgico. O cirurgião ginecológico se responsabiliza pelo tratamento dos órgãos do sistema ginecológico; o coloproctologista trata as endometrioses que afetam o intestino enquanto o urologista se concentra na parte da doença que atinge a bexiga, os ureteres e outros órgão do sistema urinário. “Quando segmentamos a cirurgia em partes, otimizamos o tempo cirúrgico e obtemos melhores resultados no que tange à recuperação da paciente”, destacou o diretor do núcleo de coloproctologia do IBCR, Ramon Mendes.

Robô em ação – Associar a experiência de profissionais de diferentes áreas aos benefícios da Cirurgia Robótica – tais como a visão tridimensional ampliada em 10 vezes, melhores ergonomia e precisão dos movimentos dos cirurgiões, redução dos sangramentos, menos dor no pós-operatório e menor tempo de retorno da paciente para casa – aumenta a chance de sucesso do tratamento da endometriose. Por esta razão, cada vez mais baianas estão optando por esta modalidade cirúrgica.

Em um recente balanço dos procedimentos realizados apenas pelos cinco médicos que integram o IBCR, chegou-se a um total de 214 cirurgias realizadas com o auxílio do robô desde que ele chegou aos Hospitais São Rafael e Santa Izabel. Embora a maior parte desses procedimentos (um total de 155) tenham sido coordenados pela urologia, especialidade que mais utiliza o sistema robótico em todo o mundo, o uso da tecnologia por ginecologistas e outras especialidades cresce a cada dia.

Saúde restaurada – Parte do resultado positivo da cirurgia robótica da nutricionista e estudante de pedagogia Maria Helena da Mata Mendes, 35, realizada no último dia 4, deve-se tanto à escolha da robótica como modalidade cirúrgica minimamente invasiva quanto à multidisciplinaridade. Há seis anos, a paciente passou por uma videolaparoscopia para tratamento da endometriose.

Contudo, como voltou a sentir muitas dores e desconforto, recentemente procurou outros especialistas que acabaram confirmando que todo seu mal estar era decorrente da endometriose profunda. Para tratá-la, a equipe do IBCR identificou que a melhor alternativa para o caso dela seria a cirurgia robótica, que foi realizada no Hospital São Rafael.

Os médicos que a operaram, o ginecologista Marcos Travessa, o coloproctologista Ramon Mendes e o urologista Nilo Jorge Leão trabalharam juntos para devolver à paciente “a alegria de viver”, conforme ela mesma declarou. “Não senti nenhuma dor no pós-operatório e o atendimento que recebi de todos os especialistas envolvidos foi maravilhoso. Estou recuperada e me sinto muito bem”, frisou. Tanto o útero quanto os ovários de Maria Helena foram preservados para uma possível gestação futura.

Sobre a endometriose – A doença é provocada por células do tecido do útero que, ao invés de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde multiplicam-se, causando sangramentos. Os principais sintomas são dores em forma de cólica durante o período menstrual, que podem incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais; dor durante as relações sexuais; dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação; e dificuldade de engravidar (a infertilidade está presente em cerca de 40% das mulheres com endometriose).

O exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: laparoscopia, ultrassom, ressonância magnética e um exame de sangue chamado marcador tumoral CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza, porém, depende da realização de biópsia.

A endometriose é uma doença crônica que regride espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos e fim das menstruações. Mulheres mais jovens podem utilizar medicamentos que suspendem a menstruação. Quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.

Pregnant woman having telemedicine session with her gynecologist

Teleconsulta, telemedicina ou consulta à distância? Tanto faz. Essa pode ser a solução que você procura.

Dr. André Bouzas de Andrade
Cirurgião Oncológico / Diretor do núcleo de cirurgia oncológica do IBCR / CREMEB 17.977

A telemedicina já é amplamente utilizada em vários países e foi regulamentada pelo Governo Brasileiro há pouco tempo como opção viável ao atendimento médico. Se você reside longe do médico especializado na sua enfermidade ou se está impossibilitado (a) de se deslocar até o consultório, a telemedicina é para você.
O que é teleconsulta?
É uma consulta médica realizada via videoconferência tornando possível uma avaliação com um especialista, sem necessidade do paciente sair de casa, seja porque está em isolamento ou em outra cidade. Por exemplo: um paciente que está no interior da Bahia pode se consultar com um especialista em oncologia em Salvador sem se deslocar.A teleconsulta pode ser utilizada para tirar dúvidas?
Não só pode como deve. Também chamada de teleorientação, é utilizada para uma avaliação inicial, de revisão ou acompanhamento, na qual o paciente vai poder conversar com seu médico e tirar todas as suas dúvidas.Preciso retornar no meu médico para renovar minha receita, é possível fazer isso pela telemedicina?
Sim. A legislação permite a prescrição de receitas com a utilização da tecnologia de certificação digital que garante uma maior segurança.

Já tenho um diagnóstico e me indicaram uma cirurgia. Posso fazer teleconsulta para ouvir uma segunda opinião?
Essa é uma excelente aplicação da telemedicina, pois o paciente normalmente já apresenta todos os exames necessários para avaliação, que serão criteriosamente analisados e através da consulta, o médico pode explicar ao paciente sobre o diagnóstico, indicações e risco e benefícios do tratamento.

Ovário

O câncer de ovário é um tumor que incide mais em mulheres acima dos 50 anos, não
apresenta sintomas nos estágios iniciais e não tem método efetivo para rastreamento.
Os ovários são órgãos produtores de hormônios e responsáveis pela ovulação. Após a
menopausa, acabam por atrofiar.

A presença de um nódulo ou massa na região dos ovários, trompas ou para-uterina
merecem investigação pela suspeita de um câncer de ovário.

O que pode detectar essa alteração é o ultrassom abdominal ou pélvico/transvaginal, mas a
ressonância magnética consegue dar detalhes mais precisos sobre essa alteração.

Alguns exames de sangue como o CA125 podem sugerir a presença de um tumor de ovário
maligno.

O diagnóstico só é firmado com a retirada do mesmo e análise pelo médico patologista.
Quando da sua confirmação, o tratamento via de regra é composto de cirurgia e
quimioterapia.

A cirurgia consiste na retirada do útero, trompas e ovários, além do omento, uma gordura
abdominal que temos abaixo do estômago, e dos gânglios que fazem a drenagem da região
uterina e ao longo dos grandes vasos (aorta e cava).

O tumor de ovário tem uma característica muito peculiar que é a disseminação pelo
peritônio, película que recobre os órgãos e a parede abdominal internamente. E durante a
cirurgia esses implantes são também removidos com intuito de remover o máximo de
doença possível.

A quimioterapia é indicada na maioria dos casos de câncer de ovário com intuito de reduzir
a doença, quando está em estágios mais avançados, aumentando a chance de uma cirurgia
completa. E também é realizada após a cirurgia para eliminar as células invisíveis a olho do
cirurgião ou que estão circulantes no corpo, diminuindo assim as chances do
reaparecimento da doença.

Tratamento cirúrgico de Endometriose, Histerectomia e Miomectomias

A sociedade contemporânea tem a figura feminina ocupando funções de grande relevância. Diante deste cenário, as mulheres acometidas por patologias ginecológicas que precisam de tratamento cirúrgico têm a necessidade imperiosa de retorno às suas atividades cotidianas relacionadas ao trabalho, casa e maternidade.

A importância dos tratamentos cirúrgicos minimamente invasivos ganha relevância neste contexto. Os procedimentos cirúrgicos que antes eram realizados por meio de incisões cirúrgicas extensas, muitas vezes associados a grandes perdas sanguínea, internamento prolongado, utilização de grande quantidade de medicações para dor e longo período de recuperação e retorno ao trabalho, atualmente, foram substituídos pelos procedimentos laparoscópicos com o benefício da realização das mesmas cirurgias através de pequenas incisões, menos dor, menor tempo de internamento, menor perda sanguínea e retorno precoce às atividades.

Seguindo o processo evolutivo, nasce a Cirurgia Robótica no intuito de solucionar algumas “deficiências” da cirurgia laparoscópica. O robô nos traz a possibilidade da imagem tridimensional, com magnificação da imagem em torno de 10x, pinças que mimetizam os diversos movimentos do punho humano, acabando com os tremores da mão do cirurgião, além de promover conforto ao cirurgião que manipula os braços robóticos sentado no console de controle.

Essa tecnologia está disponível para realização de diversos procedimentos ginecológicos como neoplasia ovarianas (ex: teratoma), patologias das trompas (ex: hidrossalpinge), miomas, adenomiose e, especialmente, em procedimentos ginecológicos prolongados e de difícil execução pela via laparoscópica como tratamento cirúrgico de endometriose e correção cirúrgica dos prolapsos genitais.

Cirurgia Robótica chega a Salvador: qual a importância para a Medicina baiana?

O Brasil conta hoje com mais de 50 “robôs cirurgiões” para realização de cirurgia robótica em atividade em nosso país. Essas “ferramentas tecnológicas”, conhecidos como Da Vinci (Intuitive/Stratner), foram desenvolvidos para realização de cirurgias complexas.

A maioria dos consoles tipo Da Vinci encontram-se no estado de SP, tendo iniciado suas atividades em Salvador há cerca de 2 meses, no Hospital Santa Izabel, quase 10 anos após a chegada do primeiro robô Da Vinci no Brasil, e quase 20 anos após o início da cirurgia robótica nos Estados Unidos.

Cidades como Campinas, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Minas Gerais, Barretos, Fortaleza, Belém e Recife, Florianópolis, Londrina e Ribeirão Preto já contam também com o apoio dessa tecnologia que é utilizada principalmente na luta contra os mais diversos tipos de câncer, como o de próstata, colón e útero.

Dentre as especialidades médicas, as que mais utilizam o robô nas suas cirurgias são a Urologia, Ginecologia, Coloproctologia e Cirurgias de Oncologia.

Cirurgia Robótica no Brasil

No Brasil, o primeiro robô Da Vinci chegou em 2008, e desde então, apesar de lentamente, vem conquistando cada vez mais território, ocupando todas as regiões, já que Belém do Pará adquiriu sua primeira plataforma recentemente.

Em Salvador, uma das maiores capitais do país, a Santa Casa da Bahia finalmente trouxe a primeira plataforma do nosso estado, encerrando um ciclo onde o paciente soteropolitano precisava viajar para outras cidades para ser operado com o auxílio da tecnologia robótica.

Nos últimos 2 anos, Dr. Nilo Jorge e Dr. Leonardo Calazans, acompanharam diversos pacientes, muitas vezes quinzenalmente, realizando suas cirurgias robóticas em Hospitais de referência em São Paulo, como os Hospitais Samaritano, Paulistano, 9 de Julho, São Luiz e Sírio Libanês.

O IBCR, além de oferecer o Hospital Santa Izabel como primeira opção por ser em Salvador, manteve as portas abertas em oito hospitais de São Paulo, ficando a critério do paciente escolher qual cidade deverá ser operado. Para os pacientes que optam por SP, em geral, chega esta cidade na véspera da cirurgia, ficando internado por 24 a 36 horas após o procedimento, quando é liberado para regressar a Salvador 2 a 3 dias, após o procedimento cirúrgico.

Apesar do seu custo de aquisição elevado, por reduzir tempo de internação e otimizar resultados cirúrgicos, a Cirurgia Robótica pode também representar redução de gastos significantes. Isso acontece, devido ao menor tempo de internação hospitalar, menor taxa de infecção das feridas cirúrgicas, menor taxa de formação de hérnias abdominais e menor uso de analgésicos no pós-operatório. Um dos motivos pelos quais é hoje a modalidade cirúrgica de escolha para tratamento do câncer de próstata, rim e útero nos Estados Unidos, onde já existem mais de 3 mil plataformas em funcionamento.

A chegada do Da Vinci â Salvador representa um passo importante para a Medicina do estado da Bahia, historicamente marcada por grandes nomes da medicina nacional, porém, vinha ficando para trás no que diz respeito à modernização da sua estrutura hospitalar. Entendemos que a chegada do primeiro robô certamente acarretará a chegada de outras plataformas em mais hospitais, tornando essa tecnologia ainda mais acessível a mais pessoas.

Cirurgia Robótica na Urologia

A urologia é a especialidade que mais utiliza essa tecnologia no Brasil, principalmente para o tratamento do câncer de próstata, um órgão que fica “escondido” na pelve, num espaço limitado e de difícil acesso, o que ao longo de anos representou dificuldade técnica acentuada para realização de cirurgias convencionais (abertas) ou por laparoscopia. Contudo, o uso do robô vem sendo estendido a cada dia para diversas áreas, como Ginecologia, Coloproctologia, Cirurgia Torácica e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Nos Estados Unidos por exemplo, a Ginecologia é a especialidade que lidera o número de Cirurgias Robóticas, servindo para o tratamento de endometriose complexa, cânceres de útero, ovário e até mesmo miomas uterinos.

Voltando na urologia, a Cirurgia Robótica pode ainda ser utilizada para o tratamento de tumores renais (nefrectomias parciais ou radicais), tumores de Adrenal (Adrenalectomia), tumores da bexiga (cistectomias) e até mesmo mal formações congênitas (pieloplastia).  A rigor, toda cirurgia feita por videolaparoscopica pode ser feita com o auxílio do robô, com mais precisão, melhor visão é mais conforto para o cirúrgico durante o ato cirúrgico.

Antigamente, quando no período da formação acadêmica, os cirurgiões aprendiam o jargão que “grandes cirurgiões, grandes incisões”. Esse conceito caiu por terra com o avanço da cirurgia minimamente invasiva, onde grandes cirurgias são realizadas através de incisões cada vez menores. Desta forma, a Cirurgia Robótica permite uma recuperação mais rápida e se associa a menores taxas de sangramento. Além disso, por eliminar o tremor essencial, próprio de todos os seres humanos, ela é uma modalidade cirúrgica mais precisa e prolonga a vida útil dos cirurgiões.

Cirurgia robótica realizada com o robô Da Vinci

Apesar do seu custo de aquisição elevado, por reduzir tempo de internação e otimizar resultados cirúrgicos, a Cirurgia Robótica pode também representar redução de gastos significantes. Isso acontece, devido ao menor tempo de internação hospitalar, menor taxa de infecção das feridas cirúrgicas, menor taxa de formação de hérnias abdominais e menor uso de analgésicos no pós-operatório. Um dos motivos pelos quais é hoje a modalidade cirúrgica de escolha para tratamento do câncer de próstata, rim e útero nos Estados Unidos, onde já existem mais de 3 mil plataformas em funcionamento.

Cirurgia Oncológica Robótica

A Cirurgia Oncológica é uma especialidade cirúrgica que tem como objetivo o tratamento de diversos tipos de tumores seguindo os princípios oncológicos (margens de segurança adequadas, cirurgias multiviscerais e linfadenectomias apropriadas). Historicamente, as cirurgias oncológicas sempre foram realizadas através de grandes incisões. Mas com a modernização da Medicina e o surgimento de novas tecnologias, a via minimamente invasiva vem substituindo a cirurgia aberta.

Com a popularização da videolaparoscopia, vários estudos foram realizados para avaliar a segurança da sua utilização no tratamento dos mais diversos tumores. E muitos deles como os tumores de próstata, reto e endométrio já tem sua eficácia comprovada.

Com o surgimento da Robótica e com suas vantagens, essa ferramenta vem sendo cada vez mais utilizada no tratamento cirúrgico oncológico.

A Cirurgia Robótica se utiliza de uma câmera com um aumento 10x, imagem em terceira dimensão, ausência de tremores, além de um mobilidade e articulação da pinça maiores que a própria mão humana. Isso faz da cirurgia robótica uma evolução tecnológica a cirurgia laparoscópica.

Mas apesar de toda a evolução, o homem, no caso o cirurgião, continua sendo o protagonista e é ele quem determina os movimentos realizados pelo robô através de um console que fica à poucos metros de distância do paciente. Por isso, independente da via de acesso, o que determina o resultado cirúrgico é um cirurgião experiente e habilitado para uso dessa plataforma robótica, que recebe o nome de Da Vinci.

Para citar um exemplo de um dos tumores que a via Robótica pode facilitar o tratamento, temos o tumor do endométrio. Um tumor que cresce na camada interna do útero, mas pode infiltrar toda a sua parede e também se disseminar pelos gânglios linfáticos que ficam ao longo de grandes vasos sanguíneos do abdômen. Portanto, o tratamento desse tumor compreende a retirada do útero, trompas e ovários, assim como a remoção desses gânglios. O acesso a esses gânglios é facilitado pela cirurgia robótica, e com a utilização de movimentos mais delicados e precisos consegue-se uma menor taxa de conversão da cirurgia para a via aberta. Além disso, muitos desses pacientes são obesos, e também nesse cenário a robótica se torna vantajosa facilitando o acesso.

O resultado de uma via minimamente invasiva com cortes bem menores, trauma cirúrgico atenuado e delicadeza na manipulação dos tecidos é uma recuperação pós-operatória mais rápida, menor sangramento durante a cirurgia e menores índices de algumas complicações.

Em resumo, a Cirurgia Robótica é um dos maiores avanços que ocorreu na cirurgia nos últimos anos, se não o maior. Sua utilização vem sendo cada vez mais disseminada, tanto para doenças benignas quanto as malignas, e nos próximos anos, provavelmente entrará na rotina do tratamento de quase todos os tumores. Ela veio para facilitar o acesso laparoscópico, agregar precisão cirúrgica, mas mantendo o mesmo cuidado em relação ao controle oncológico.

Cirurgia Robótica na Coloproctologia

Desde que foi iniciado a utilização da cirurgia robótica em 1999 nos Estados Unidos em diversos procedimentos cirúrgicos especializados. A equipe de coloproctologia, especialidade responsável pelos distúrbios do intestino grosso, reto e ânus, sem dúvidas, foi umas das que mais se beneficiaram com a utilização o sistema Da Vinci®.

Vários procedimentos podem ser realizados roboticamente pela coloproctologia, como a cirurgia de câncer de cólon e reto como a colectomia direita ou esquerda, retossigmoidectomia e anastomose primária (procedimento para emenda do intestino). A cirurgia da endometriose com necessidade de ressecção minuciosa. Além do mais, trouxe uma grande qualidade na ressecção cirúrgica para a realização da linfadenectomia (retirada de linfonodos tanto do mesocólon, mesorreto e dos linfonodos obturadores laterais). Extremamente importante para o tratamento do câncer de cólon e reto.

Além das vantagens para a realização do procedimento, a cirurgia robótica também representa benefícios para médicos e pacientes. As vantagens para o paciente na cirurgia robótica são menor trauma cirúrgico, rápida recuperação, menor manipulação de alças intestinais, menor sangramento, menor tempo de internação e provavelmente menor risco de lesões de outros órgãos. Principalmente em cirurgias tecnicamente muito desafiadoras, especialmente em pelve estreita e pacientes obesos.

Para os cirurgiões, a cirurgia robótica trouxe enormes benefícios, mais ergonômico, movimentos mais precisos, visão ampla e tridimensional das estruturas das anatômicas, possibilidade de mudar a direção da câmera e o manuseio das pinças aumentando o controle possível na dissecação.

Em 1999, a Intuitive lançou o primeiro sistema cirúrgico da Vinci®, que em 2000 tornou-se um dos primeiros sistemas cirúrgicos assistidos por robôs a obter autorização da FDA( Food and Drug Administration).

Hoje, depois de mais de 6 milhões de cirurgias em todo o mundo, a cirurgia robótica se consolida mundialmente como um método revolucionário e inovador. É importante frisar, que o termo “robótico” muitas vezes engana as pessoas. Os robôs não realizam cirurgia. O cirurgião realiza a cirurgia com o da Vinci usando instrumentos de cirurgia minimamente invasiva assistida por robô, que ele guia através de um joystick existente no console. Ele traduz os movimentos da mão e dedos do cirurgião em tempo real de forma delicada e sem tremor, dobrando e girando os instrumentos durante a realização do procedimento com uma maior amplitude. O console também oferece visualizações 3D de alta definição ampliando em 10 vezes a área cirúrgica. Além do tamanho dos instrumentos que possibilitam que os cirurgiões operem em pequenas áreas cirúrgicas intra-abdominais com pequenas incisões na pele.

O importante é saber que, mesmo com a ajuda do robô, o paciente é o centro de uma rede multiprofissional humanizada onde o cirurgião é a peça chave do sistema em conjunto com uma equipe de sala cirúrgica e hospitalar dedicada, treinada e organizada.  Todos, trabalhando em conjunto em benefício do bem-estar do paciente em seu momento mais frágil da vida.

A área de atuação da coloproctologia, parte inferior do trato digestivo ou trato colorretal que inclui o intestino grosso, composta do cólon, reto e anus. Podem apresentar diversos problemas que variam de incômodos simples até os que podem trazer risco de vida. O câncer colorretal é um exemplo, é o terceiro câncer mais comum em homens e mulheres, com mais de 145.000 novos casos esperados em 2019. Além de condições não cancerosas, que podem causar dor e desconforto. Como doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa), Doença Diverticular (Diverticulose do cólon) que podem causar condições infecciosas e inflamatórias com formação de abcessos (diverticulite) e quadros clínicos de endometriose pélvica que podem prejudicar a qualidade de vida. Todas essas patologias, podem requerer algum tratamento cirúrgico quando os clínicos apresentam insucesso.

No passado, os cirurgiões faziam grandes incisões na pele e nos músculos, para que pudessem ver e trabalhar diretamente na área de interesse. Isso é chamado de cirurgia aberta. Hoje, os médicos ainda realizam a cirurgia aberta, mas também podem realizar muitos procedimentos usando cirurgia laparoscópica minimamente invasiva ou assistida por robô, com a tecnologia da Vinci®. Trazendo um grande avanço médico significativo e mudando paradigmas de grandes cirurgias que deixavam enormes cicatrizes e mantinham os pacientes no hospital por vários dias.

Ambas as opções cirúrgicas minimamente invasivas requerem algumas pequenas incisões que os médicos usam para inserir equipamentos cirúrgicos e uma câmera para visualização. Na cirurgia laparoscópica, os médicos usam ferramentas especiais de cabo longo para realizar cirurgias enquanto visualizam imagens ampliadas do laparoscópio (câmera) em uma tela de vídeo.

Na tecnologia da Vinci o sistema cirúrgico é composto por três componentes: console do cirurgião, carrinho com os braços robóticos do lado do paciente e carrinho com geração de imagens de alta definição. O cirurgião no console realiza a cirurgia com o da Vinci usando instrumentos de cirurgia minimamente invasiva assistida por robô, que ele guia através de um joystick existente no console. Ele traduz os movimentos da mão e dedos do cirurgião em tempo real de forma delicada e sem tremor, dobrando e girando os instrumentos durante a realização do procedimento com uma maior amplitude. O console também oferece visualizações 3D de alta definição ampliando em 10 vezes a área cirúrgica.

A robótica propicia uma cirurgia minimamente invasiva com menos cortes, menos sangramento, preservação de nervos e consequentemente menor dor pós-operatória, redução de período de internamento e menos complicações pós cirúrgicas. É um excelente método aliado a um bom e experiente cirurgião colorretal.

Uso de novas táticas cirúrgicas no tratamento do Câncer de Próstata

Dr. Leonardo Calazans comenta o uso de novas táticas cirúrgicas, com utilização de Cirurgia Robótica, para o melhor resultado do tratamento do Câncer de Próstata.

Artigo publicado recentemente mostra benefícios em continência urinária e potência sexual com a preservação de vasos e nervos permitidas pela cirurgia robótica.

A utilização da Cirurgia Robótica no tratamento do câncer de próstata já é feita de maneira ampla em todo o mundo, com grande crescimento no Brasil nos últimos anos.

O robô traz benefícios em resultados funcionais (continência urinária e função sexual), assim como oncológicos que já são bem conhecidos. A utilização de imagens de alta definição, com 3D e a baixa taxa de sangramento (que pode dificultar a visão do cirurgião) permitem melhor preservação de feixe nervoso que é responsável pela ereção. Alguns estudos mostram a vantagem dessa técnica quando comparado a videolaparoscopia convencional e à cirurgia aberta, chegando até a 80% de resultados positivos.

A utilização de refinamentos micro anatômicos mostrou presença de nervos na parte anterior da próstata, em regiões que anteriormente não era preservado nas cirurgias convencionais.

Nesse trabalho publicado na Revista European Urology (Revista Europeia de Urologia) de 2018, os autores analisaram 128 cirurgias de câncer de próstata feitas através de Cirurgia Robótica, com preservação retrógrada do feixe nervoso, veia dorsal e fáscia endopélvica (relacionado a continência urinária).

Os resultados mostraram um tempo cirúrgico médio de apenas 78 minutos, com internação menor de 24h em 94,5% dos pacientes. A perda sanguínea foi mínima, com somente 2 pacientes necessitando de transfusão sanguínea.

Os dados mais impressionantes estão relacionados o resultado funcional. Após 1 ano de cirurgia, 98,4% dos pacientes encontravam-se continentes e 86,7% estavam potentes, sendo que 53,1% já tinham ereção após o primeiro mês de cirurgia.

Concluindo, o uso de novas técnicas de preservação, associado aos avanços da cirurgia robótica, permitem resultados cirúrgicos excelentes, trazendo benefícios para os pacientes.